O desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha


O desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha

Como disse Dr. Hamilton Guimarães, advogado ilustre e Joaimense por volta de 1981 em Reunião do Rotary Clube de Joaíma: "O Vale do Jequitinhonha é uma ilha cercado por incentivos de todos os lados". E era! E é!

O vale do rio Jequitinhonha, principalmente o médio e o baixo Jequitinhonha foi constituído na pecuária, principalmente na pecuária de corte onde predominava a grande extensão de terra e ainda existem algumas propriedades com essa característica. Talvez, em conseqüência desta atividade sempre foi um lugar de baixa densidade populacional, portanto de baixa densidade eleitoral.

As terras do Jequitinhonha tinham qualidades para a pecuária extensiva, a pastagem veio substituir em parte a mata atlântica que existia a medida que aproximamos do litoral, subindo o rio em direção ao médio Jequitinhonha o clima se tornava mais seco e o solo mais árido na transformação da mata para o cerrado e deste para caatinga. Com temperaturas médias altas e baixa pluviosidade as gramíneas são bem adaptadas. A pecuária leiteira era praticada nas terras altas, nas chapadas.

Quando cheguei ao Vale em 1979 encontrava grandes extensões de capim colonião, bengo e capim meloso ou gordura. Hoje as grandes extensões são de brachiarias.

As condições climáticas se deterioraram com o devastação das florestas para produção de pastagens, produção de carvão e extração de madeira. As chuvas regulares foram substituídas por secas e as chuvas em quantidade insuficiente em épocas que não mais beneficiam plenamente o ciclo vegetativo do capim dando origem a "Seca verde" estado definido também pelo ilustre Dr. Hamilton. Na seca verde a produção do capim é prejudicada, por exemplo, no ano de 2010 as chuvas não ocorreram nos meses de janeiro, fevereiro e choveu pouco em março e um pouco mais em abriu. Olhando a paisagem vê-se o verde, mas pensando que a partir de abril o frio começa e o ciclo vegetativo do capim começa o ciclo de dormência e começa a secar.

Mas voltando ao desenvolvimento do vale, Getúlio Vargas rompeu com a estrutura de mando originado do campo em favor ao crescimento do proletário urbano, para manter o poder atrelou os sindicatos ao Estado impedindo, desta forma a livre organização dos trabalhadores, criou a CLT baseada na "Carta del Lavoro" fascista de Mussolini e tudo ficou atrelado ao estado, o que continua até hoje.

Em 1955 o então Presidente Juscelino criou a Sudene com o intuito de promover as regiões devastadas pela seca. O Vale do Jequitinhonha ficou de fora, muito embora apresente características muito próximas as áreas do nordeste brasileiro.

Norte de Minas foram incluídos na região da Sudene resultando no desenvolvimento espetacular da cidade de Montes Claros e de muitas regiões do nordeste. Em 1998 o Vale do Jequitinhonha é incluso na área da Sudene, mas Fraca e assolada por corrupções e desvios e favorecimentos a Sudene foi encerrada no Governo 2001 pelo Presidente FHC.

Na verdade nunca hoje um plano consistente de desenvolvimento do Jequitinhonha.

Os governos em Minas Gerais sucederam; Francelino Pereira construiu a estrada asfaltada da 116 a Almenara; Newton Cardoso fez obras estruturais em algumas cidades, em especial Joaíma; Tancredo o asfalto da 116 a Araçuai; Aécio com o pró-acesso interligou cidades ao asfalto e renovou as unidades básicas de saúde, construiu o Viva vida em Jequitinhonha e o centro de hemodiálise em Itaobim (em fase final de construção); Itamar a barragem de Irapé acima de Araçuai. Todas as obras são importantes, mas fora de um contexto maior, algo que interligasse e levasse o desenvolvimento como um todo. Ainda não há asfalto interligando a BR 116 a BR 101.

Não há indústrias de porte médio ou grande, não há geração de trabalho e renda. Mesmo com o enorme potencial geológico e mineral do Jequitinhonha não há uma mineração com base auto-sustentável. O granito produzido no vale é levado para ser industrializado em outras regiões ou estados. A pecuária leiteira sofreu uma decadência e a diminuição do rebanho bovinho foi acentuada, resultando em desemprego e êxodo rural.

Já houve um traçado de estrada de ferro que iria interligar o Brasil central com os portos como o de Ilhéus na Bahia. Ninguém fala mais disso. Falou-se o biodiesel na região do semi-árido no médio Jequitinhonha tendo Araçuaí como sede, isso em 2005. Não houve impacto no desenvolvimento econômico e social da região.

Hoje estão plantando eucaliptos na região e fala-se em uma industria de celulose iniciativa do setor privado.

O que eu vejo de sólido é que o Vale do Jequitinhonha continua empobrecendo, vivendo do fundo de participação dos municípios e continua sendo lembrado nas eleições. O nosso povo continua esperando a sensibilidade de um governo que tenha em seu plano de ação o desenvolvimento do vale, resgatando essa área do Brasil para o século XXI. Vamos esperar.

Leônidas Galbas Santos



 

Comentários